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domingo, 3 de julho de 2016

Imperfeição inglória

Para se ser,
Realmente,
Livre de facetas
É preciso deixar o abstrato
Para tomar forma concreta.

Para que a luz penetre,
Dando luz ao ser
É preciso
Comece
Brilhando a quem vê.

Para se ser verdadeiro,
- Passando verdade -
É preciso ultrapassar o ego
E todo o resquício de vaidade.




Para se SER
Enfim,
No fim da trajetória
É preciso o amor vença,
Sobre a imperfeição inglória!”


(Paula Coelho, 30 de Setembro de 2015)

Composição

Tenho em mim
 O gesto,
A vontade de desbravar,
Sem dúvidas
E medos,
Este rio,
Este mar.


Por um momento paro,
E sinto um chamar:
-Ó marinheira!
Prepara-te!
É tempo de avançar! –

- É esta luz que me guia;
É esta composição.
………………………
É esta melodia,
Que sinto no coração.


Ecoa no íntimo de mim,
Em forma de canção,
A sonoridade do mar bravio,
Que é o trilho da evolução.

É este ode que canto,
Sozinha,
Dentro de mim,
Impulsionando-me
À coragem
E à esperança sem fim”


(Paula Coelho, 1 de Agosto de 2015)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Ecos da rua

“Já olhaste para aquele que vive na solidão?
Para aquele que dorme na rua,
E mendiga por um pouco de pão?
Já paraste para escutar o silêncio,
O eco que se ouve bem alto,
Da dor que o consome por dentro,
Da fome que o devora num pranto?

Se te detiveres, atentamente,
Com um pouco mais de cuidado,
Verás as experiências falhadas,
O abandono precoce.
A tristeza pungente,
Em seu rosto rasgado.
………………………
Mas se olhares mais de perto,
À luz dos lampadários da rua;
Verás esculpido no chão,
Aqueles que dormem o sono sombrio,
E têm por primordial companhia
A presença da solidão.

-Todos eles são teus irmãos.
………………………………
Como era bom se pudéssemos,
Libertá-los da exclusão…
- Apagar todos os pesadelos e medos
Com o carinho das nossas mãos.
E qual artista inspirado,
Recolorir-lhes a tela da vida,
Ofertando-lhes o calor da amizade,
Num gesto de caridade
Com esperança sentida.” 

 (Paula Coelho, 15 de Dezembro de 2014)




domingo, 14 de dezembro de 2014

Natal de 2014

“ No ar paira a emoção
De mais um Natal em monção,
Repetindo e chamando,
A necessidade urgente,
De muito amor no coração.

……………………………………….
- Será que ouves a voz?
- Não sentes a melodia?

………………………………………….
Em todo o crepúsculo reina a poesia,
- Raiando de par em par -
Insistindo na sinfonia,
Da necessidade de AMAR!!!

Passam as eras e os tempos…
E a mesma sonoridade permanece:
- O desafio é AMAR!!!
Não só no Natal,
Mas em todos os momentos!!!”

(Paula Coelho, 14 de Dezembro de 2014)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Elogio da dúvida

Procuro a verdade
-Tentando fugir-
Da mentira e falsidade
Que me fazem cair,
Nos becos da ignomínia
Nas tortas vias da vida;
Pelas vielas desconhecidas
Deste eterno buscar,
Que me faz a toda a hora
Pensar e meditar...
......................................
Com arte,
Destreza,
Engenho,
- Alguma perspicácia -
(Se é que a tenho?!)
Deixo as ideias voarem
Sem compreender bem:
- Onde fica a lógica enquadrada,
Na procura de algo
Que não se tem?

Nenhuma certeza,
Nenhuma premissa;
-A lógica Iluminista que me desculpe:
Não há clivagem entre a razão e a fé,
Pois uma sem a outra
Fica enfermiça.

O jogo entre os dois lados
Faz surgir
Vários pontos de rutura,
No meio de outros tantos
A convergir.
......................................
Não sei bem se me situo
Nas contas mal paradas,
Que fazem parecer o destino
Uma obra inacabada.

Acabada onde?
Pelas mãos de quem?
Esquece-se o princípio,
De onde tudo provém.

Será Deus?
Será o Diabo?
Será o Caos?
Será o Acaso?
... Não sei bem...
-Sei que ao pensar no assunto
Uma imensidade
Em mim se detém.

Permanecem as possibilidades,
Porém,
Uma conclusão súbita:
- A verdade jaz encoberta
No seio da maior dúvida!

(Paula Coelho, 09 de Outubro de 2013)

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Para além desse olhar

Para além deste olhar
Que me dita a estrada a caminhar,
As esquinas a dobrar,
Os muros para derrubar,
Com as pedras da calçada a cantar.

Sinto o cheiro e a cor
De uma estranha forma de ser, 
De uma dor...
Momentos de eterna certeza,
E de singelo esplendor.

Como uma tela vazia
- Sem cor -
Diante da qual,
Mil hipóteses de desenhar, pintar
Enquadrar...
A pintura da vida real
De par em par.

Toca uma música...
A melodia tem sentimento,
Cheiro, paladar...
Tem momentos e instantes
Em que apetece recomeçar!

Cai a tarde,
Vem a noite
E o ocaso de um sonho...
...Permanece lá.
..................................

- Para além do tempo,
Do espaço -
Com os olhos postos 
Naquele ponto,
E naquele traço,
Desenhando uma trajetória de vida,
Sem compasso.

Terá fim, a linha?
É o fim sem acabar?
..................................
...Não!!!
É a porta aberta do ponto final!
Oh! prazer de degustar
O deduzir e indagar
Com o pensamento!
Transportas a alma para outros lugares,
Nas delicadas asas do vento!

(Paula Coelho, 04 de Outubro de 2013)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Cores de Inverno

São os sons de Inverno,
É a cotovia;
É a cor do Outono,
Mesclada de nostalgia.
É a manhã perdida,
O nevoeiro;
É a promessa do retorno de um Rei;
De um justiceiro;

- É o profeta da esperança,
vazio de expectativas -
Que olha o futuro ao longe,
Sem formas, nem vias.

São as parábolas já gastas;
Dos tempos da fé cega,
Abençoando as desgraças,
Que aos desgraçados não dão tréguas.

São as coisas que permanecem intactas;
Outras em constante movimento.
Em tudo se vê a construção
E o fazer-se a história a cada momento.

(Paula Coelho, 05 de Setembro de 2013)